sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Schopenhauer

[...] a sensibilidade e o espírito da maior parte dos homens são tão monótonos quanto aquelas trompas de uma nota só. Muitos deles dão a aparência de ter tido sempre um único e mesmo pensamento, como se fossem incapazes de produzir qualquer outro. Isso explica não apenas por que tais homens são tão tediosos, mas também por que são tão sociáveis e por que preferem andar em bando. [...] Quem, todavia, ama estar entre outras pessoas, pode abstrair a seguinte regra: o que falta em qualidade às pessoas do seu convívio tem de ser suprido, em certa medida, pela quantidade. O convívio com um único homem inteligente é suficientemente recompensador, mas, se o que se encontra são apenas tipos ordinários, então faz bem ter uma profusão deles, para que a variedade e a atuação em conjunto produzam algum efeito, e que o céu lhe conceda paciência!

[...] que prazer lhes pode fornecer o convívio com seres com os quais só podem travar relações por intermédio do que há de mais baixo e menos nobre na natureza humana, ou seja, o banal, o trivial e o comum? Esses seres formam uma comunidade e, como não podem elevar-se à altura dos primeiros, só lhes resta - e essa é sua única ambição - rebaixá-los ao seu nível.

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